A corrupção nossa de cada dia…

Mikhail Gorbachiov é Cientista Social pela UFPE

A moda dos últimos anos é fazer o uso aberto e indiscriminado da palavra corrupção.

Os desatentos parecem atribuir um significado distinto para o que na verdade não passa de um sinônimo: o jeitinho brasileiro.

Não é novidade que depois da invasão portuguesa nas terras tupiniquins, este Brasil “véi de guerra” serviu de hospedaria permanente para as mazelas que vieram importadas de Portugal. De agiota a ladrão de colarinho branco, todos estavam por aqui.

Este terreno fecundo não poderia dar origem a uma nação que não fosse aquela que estivesse absorvendo, em tudo, aquilo o que os lusitanos apregoavam sobre sua cabeça: do cristianismo à depreciação indígena. Uma sociedade embebida de vícios sociais estava nascendo e lidar com isso não seria tarefa fácil.

Bem vindo ao Brasil, aqui o sonegador de impostos chama de ladrão aquele que desvia dinheiro público; o torcedor do Barcelona intitula de criminosos Collor, Renan Calheiros, Cunha, Temer, Lula, Aécio e companhia LTDA, mas sequer ousa falar em punição severa para Messi, que cometeu crime fiscal.

Vivemos numa sociedade onde “o que eu acho que é certo, é certo. E portanto não me diga o contrário”.

Quantos e quantos de nós não nos cansamos de ver nos bancos de nossa cidade, empresários que furam a fila descaradamente só porque têm um status social diferente dos demais ou até mesmo porque goza de boas erelações com fulano ou fulana que trabalha no Banco? Note que estes mesmos são aqueles que esbravejam discursos e opiniões sobre a corrupção do país. Mas aí te pergunto: Não seria este ser também um igual aos que critica?

A corrupção está entranhada no DNA brasileiro. Está nos pais que para que um filho se comporte em determinada situação oferece um chocolate ou dinheiro e depois do feito conseguido, negligencia sua promessa. Da mesma forma o é nas instituições.

Muitos dos que criticam os atos corruptivos também dizem “se eu estivesse lá também faria o mesmo”…

Os últimos 4 anos têm trazido experiências incríveis para a sociedade brasileira, e outra palavra que também ficou na moda –“crise”. Antes de quaisquer coisa que se argumente devemos analisar que a crise é sobretudo de identidade, uma crise de si. O brasileiro não sabe o que é, o que faz e muito menos sabe ser coerente com o que pensa.

Finalizo acreditando que somos todos corruptos: daquele que faz um preço diferenciado de um produto para alguém conhecido até ao que está lesando os cofres públicos. Mas como prêmio de consolação sugiro: “Viva como pensa, para que não pense como vive.” (Pepe Mujica)

Mikhail Gorbachiov é Cientista Social pela UFPE

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