TEMPOS SOFRIDOS…

Em 1999 o Sistema Brejão veio ao colapso total. Bezerros era abastecida por trem d´água que vinha da capital através da rede da REFESA. Na época, começou a tão falada transposição das águas do Rio Serinhaém. Bezerros volta a viver o colapso do sistema de Brejão, a diferença é que ainda há água do manancial que alimenta o sistema de chafarizes. A população aguarda ansiosamente o acionamento da transposição que já teve as obras concluídas. Imagem (Antônio Monteiro).

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A MOSKA QUE ‘ZUMBIA’ PARA O BEM EM BEZERROS

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O Enéas Nunes, que foi nosso diagramador do jornal impresso Bezerros Hoje, fez uma publicação para relembrar a edição comemorativa de um ano do jornal A Moska, que circulou até meados dos anos 2000. Era um jornal poético com elevado tom crítico e tinha na juventude vários leitores assíduos. O periódico era editado pelo jovem Dailson Mutuca que, infelizmente, perdeu a vida vítima de afogamento.

O povo fala de esperança como se fosse uma porção magica que alimenta a alma.
Como posso ter esperança se li no jornal que não tem emprego pra mim por tenho mais de 40 anos?
Como posso ter esperança quando Fernandinho Beira-Mar está preso, mas continua aterrorizando meu país?
Como posso ter esperança ao ver na tevê que não tem emprego para meu filho porque ele não tem experiência?
Como posso ter esperança se o povo elegeu outra vez Antônio Carlos Magalhães, Fiúza, Etc..?
Como posso ter esperança se no meu país ser honesto é coisa do passado?
Como posso ter esperança se onde a maior arma do homem (o voto) é trocado por um saco de cimento?
Como posso ter esperança se o prefeito da minha cidade só dá emprego aos seus familiares ou a quem não precisa?
Como posso ter esperança se ao sair de casa não sei se volto porque a cidade está cheia de balas perdidas?
Como posso ter esperança se no meu país se mata mais que na guerra da ambição do Estado Unidos com o Iraque?
Ah! Eu posso ter esperança em Deus.

Dailson Mutuca! 07/06/2003

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Semana de Emancipação: Riqueza cultural e arquitetônica de Bezerros mostrada em documentário

SAM_6010 SAM_6041 SAM_6091Sendo a cidade de Bezerros uma das mais ricas em cultura, de Pernambuco, a Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes, aliou a isto a riqueza arquitetônica que o município possui, com alguns dos prédios mais antigos da cidade, que além de preservados também retratam parte da história política, religiosa e cultural, e realizou o projeto Bezerros Riqueza Cultural e Arquitetônica, através de um documentário, com a gravação de um DVD, que foi lançado oficialmente nesta segunda feira, dia 16 de maio, no auditório da Escola Técnica Estadual Maria José de Vasconcelos (ETE), no bairro Santo Amaro II.

O auditório da ETE foi totalmente tomado por alunos da rede de ensino do município, funcionários, gestores, professores e convidados da cidade e região, que assistiram a exibição do documentário, em evento cultural bastante disputado, que mostra em 20 minutos, parte do nosso casario: Estação da Cultura, Igreja Matriz de São José, Casarão do Capitão Pedro Pereira, Colégio Nossa Senhora das Dores e a residência do decorador Paulo Medeiros no centro da cidade,  onde aconteceram grandes momentos da política local, no passado. No documentário, participações de religiosos, funcionário de museus, moradores dos casarões e do historiador Ronaldo Souto Maior, com depoimentos que atestam os importantes momentos ocorridos em todos estes monumentos retratados no DVD, que será distribuído em toda rede escolar e também estará a disposição na rede internet.

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CONVITE PARA O LANÇAMENTO DO DOCUMENTÁRIO – BEZERROS-RIQUEZA CULTURAL E ARQUITETÔNICA

13115845_244332642623249_1804652145_nA Prefeitura de Bezerros através da Secretaria de Educação, Cultura e Esportes através da Gerência de Cultura, convidam vossa excelência para o lançamento do Documentário BEZERROS -RIQUEZA CULTURAL E ARQUITETÔNICA. O evento será no auditório da ETE- Escola Técnica Estadual Maria José Vasconcelos e sua presença será de extrema importância para nós. Esperamos você!
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PAPANGUS ESTRELAVAM COMERCIAL DE TV NOS ANOS 80

papangusComo se observa em vídeo ao lado, os papangus não são uma exclusividade de Bezerros. Há registros dos famosos personagens em todo o nordeste. Foi através do prefeito visionário Lucas Cardoso que o carnaval da cidade resolveu puxar o mote, afinal os mascarados papangus ‘invadiam’ o município no período de momo. Nos tornamos, digamos assim, referência para estes personagens (com suas inúmeras versões históricas contadas). Em meados da década 90 o Governo do Estado trabalhou outros motes em vários municípios com forte tradição de festa de rua. Daí surgiram outras referências, como Lar Usa, Caiporas, Caretas, Alegorias…

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CÔNEGO TRAJANO FIGUEIREDO DE LIMA – 2º PARTE

padreChegado em Bezerros no ano de 1859,substituindo a Frei Clemente da Imaculada Conceição, e recebe a paróquia das mãos do padre Coadjutor Antonio Vieira de Mello, Cônego Trajano Figueiredo, célebre pela sua inteligência e excelente orador, teve presença marcante na Paróquia de São José dos Bezerros por 34 anos, sendo marcado pelo belo trabalho, não só religioso, bem como social. A vida do Cônego Trajano Figueiredo está ligada ao missionário Padre Ibiapina, que visitando Bezerros inicia a campanha para fundação de uma CASA DE CARIDADE, e não podendo concluir,, deixou aos cuidados dos padres Trajano e Seabra, os quais ficaram empenhados na construção, e, no dia 11 de setembro de 1870, com a nova visita do missionário, a CASA DE CARIDADE foi inaugurada, a qual tinha por objetivo cristão de amparar as órfãos e crianças abandonadas.
Mas na verdade o CÔNEGO TRAJANO FIGUEIREDO DE LIMA, conforme citamos na primeira parte dessa matéria, era um forte abolicionista e bem inteligenmte, de um lado convivia com os senhores de engenho, sabiamente aplicava o evangelho fora da bíblia, a palavra de DEUS dentro da realidade, na prática. Conforme já citamos, a ASSOCIAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO estava voltada em recolher recursos – colhidos nas missas, e até por doações dos próprios fazendeiros,- “uma obra de caridade que o Divino Espírito Santo agradece” -, e com elas, o sacerdote aplicava para libertar alguns escravos e os caminhando para as “ghuaribbas” e de lá seguiam para Palmares.
Em uma das reuniões da Câmara de Vereadores, o sacerdote foi convidado pelo presidente da Câmara ,Felipe da Cruz Pereira Brayner para proferir uma palestra, o Cônego Trajano de Figueiredo comparece e inicia suas palavras enaltecendo os presentes, e no desenrolar das palavras faz severa crítica ao sistema escravista, mostrando que “é um grave crime aos mandamentos de Deus, todo ser humano tem o direito da liberdade, pois para DEUS não existe cor, não existe rico ou pobre, todos são iguais perante DEUS”. Aí tem início um grave bate-boca, se não houve algo mais grave se dá por conta da presença do dr. Juiz de Direito, e outros convidados, o deixa-disso acalmou o ambiente, mas isso é apenas um exemplo da luta do Cônego Trajano na tentativa de combater o escravismo em nossa terra. Ato de bravura do Cônego Trajano, o qual ainda se destaca em 1892, com anulação das eleições e logo se realizando outra, vencendo o coronel Joaquim José Bezerra da Silva, o qual, mesmo com a extinção da escravidão, mantinha as senzalas de seu Engenho lotadas de escravos, nada mudando, e o pior, ele saia de Sapucaia para a prefeitura com um escravo puxando uma charrete, ao chegar no local, mantinha o escravo acorrentado na calçada – numa argola fincada ao chão, muito comum na época, pois o transporte era via animal -..Sabedor dessa triste situação, o sacerdote procura as autoridades, que logo liberta o escravo e vai um agrupamento de policiais até o engenho, comprovando o fato, e logo os pobres são libertos. ASSIM ERA O ABOLICIONISTA CÔNEGO TRAJANO DE FIGUEIREDO LIMA. Merece nosso respeito, nossa homenagem !!!

Professor e historiador-

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VIGÁRIO DEFENDE FIM DA ESCRAVIDÃO

padreA esse Vigário da Matriz de São José toda comunidade bezerrense – sem distinção de credo religioso – deve aplaudir de pé, prestar as melhores homenagens pela sua brava atuação, graças pela sua luta em defesa dos menos favorecidos, não ficou no púlpito apenas pregando a palavra de DEUS, muito mais, praticou ao vivo o que Jesus deixou gravado nas Santas Escrituras. Assim que chegou em Bezerros, nos idos de 1859, logo procurou conhecer o estado social da sua nova paróquia, nas missas exaltava a humildade, a irmandade entre as pessoas, buscou conhecer todos os proprietários da região, visitou, sempre montado em seu cavalo, e nas visitas ia sempre coletando dados sobre a situação das senzalas, via “in loco” o sofrimento dos escravos, e durante as missas matinais, citava o horror do escravismo, sempre afirmando “Se Jesus sofreu no calvário, o escravo sofre atos desumanos nas senzalas”, e acrescentava – ” O ato desumano anula a religiosidade dos escravistas, é preciso mudar a situação”, e foi aí que nasceu uma grande ideia, ele organizou uma sociedade secreta denominada “ASSOCIAÇÃO DO ESPIRITO SANTO”, obtendo assim ajuda dos próprios escravistas católicos, e foi muito além, abaixo do Altar do Santíssimo, que fica na esquerda da entrado do templo, abriu um esconderijo para abrigar escravos que fugiam, e em determinada madrugada eram enviados para a região das sapucaias e de lá seguiam para Palmares. Seu sermão durante a missa era claramente entendido que o CÔNEGO TRAJANO era um defensor da extinção da escravidão. Chegou a ter conflitos com o coronel José Joaquim Bezerra e Silva, proprietário do ENGENHO BOA VISTA, um dos mais ferrenhos escravista dos Bezerros. Aí será outra história.
Por ato de justiça os restos mortais do CÔNEGO TRAJANO FIGUEIREDO DE LIMA, falecido em 1893 e sepultado no Cemitério do Rosário, deveria ser transladado para a MATRIZ DE SÃO JOSÉ. Um ato de homenagem ao nosso ABOLICIONISTA !!!!

Ronaldo J Souto Maior-Historiador

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BOA TARDE, BEZERROS!

Imagem feita de uma das torres da Matriz de São José tendo ao fundo a Praça Duque de Caxias e vista panorâmica do bairro São Pedro. O registro é do internauta Lucas Miguel, enviada especialmente para o nosso WhatSapp (81) 99613 6528.20150903132432

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O PROFESSOR E HISTORIADOR RONALDO J. SOUTO MAIOR ANALISA BEZERROS NO CENÁRIO REGIONAL

11907167_1223031901056109_4897557209618176593_nO PROFESSOR E HISTORIADOR RONALDO J. SOUTO MAIOR, 74 ANOS, é o nosso entrevistado deste sábado (22). Com ele, damos prosseguimento a nossa série de entrevistas aos sábados, objetivando oferecer aos nossos internautas a oportunidade de conhecer certas nuances da política. Na entrevista, relacionamos Bezerros com o seu passado, buscando entender porque o desenvolvimento não veio para nós na mesma velocidade que apresenta os municípios vizinhos. Ronaldo não titubeou e foi direto na ferida! Além desse aspecto, você vai conhecer um pouco de Ronaldo Souto Maior, que  falou um pouco da sua família, das suas origens e de outras questões históricas relevantes como a preservação da nossa arquitetura. Ainda há, mesmo que subliminar, um recado a classe política de Bezerros. Você confere a seguir: O professor Ronaldo é o nosso 9º entrevistado. Já entrevistamos Nivaldo Santino, Josevânio Miranda, Marcone Borba, Mikhail Gorbachiov, Eugênio do PT, Edgar Lino, Neguinho de Israel e o vereador Gabeira. Vejam os arquivos aqui.

1º-BEZERROSHOJE- O Senhor é um referência em Bezerros por buscar preservar a história do município. Mas gostaríamos de saber mais sobre a família e principalmente sobre a pessoa do professor Ronaldo Souto Maior.

PROFESSOR RONALDO – A família SOUTO MAIOR tem origem em Portugal, quando com o Bloqueio Continental em 1806, Dom João foge para o Brasil, cujo navio tinha como comandante o Vice-Almirante Manuel da Cunha Souto -Maior ( comandante da Nau Príncipe Real ), enquanto a Nau Rainha de Portugal, comandada por Francisco Manoel de Souto – Maior, trazia o restante da família real. Estes, talvez foram os primeiros Souto-Maior que desembarcaram no Brasil. Já em Pernambuco, precisamente em Tejucupapo ( Goiana ) residia o senhor de engenho ANTÕNIO SOUTO MAIOR BEZERRA DE MENEZES, que era casado com Maria da Veiga Pessoa, que tiveram os filhos Mariana, casada com Domingos Albuquerque de Melo Montenegro; Ana, casada com André Dias de Figueiredo, dono do engenho Angico Torto, Maria, casada com Semião Barbosa Cavalcanti, senhor de engenho Gramame, a religiosa Luzia, o padre Antônio, Manoel, José e João. A família Bezerra de Menezes, por causa de suas idéias políticas, era perseguida pelo governo. Os filhos tomaram parte na Revolução de 1817, principalmente o João, que era o mais destemido de todos. Mais tarde um dos descendentes, cessada as perseguições políticas, saiu como mascate, chegando até nossa região – BOCA DA MATA (hoje Sairé, antiga São Miguel), chegando a se casar com uma viúva, Maria das Neves Souto Maior, nascendo entre outros filhos, José Pessoa Souto Maior, que seria meu bisavô.Existe uma variedade no nome SOUTO MAIOR, na Espanha se escreve SOTTOMAYOR, SOUTO-MAIOR, SOUTO MAIOR, mas todos com raízes portuguesa. Assim se tem um pequeno resumo da longa história da família SOUTO MAIOR.

2º BEZERROS HOJE- É inegável a sua adoração por Bezerros, perceptível nas suas várias publicações. Em uma citação na sua rede social descreve: “Sou apaixonado pela minha família e pela minha Bezerros, vivo, sofro, mas não abandono o barco, êta terrinha gostosa”. Qual o dissabor e as virtudes de ser bezerrense?

PROFESSOR RONALDO – Temos mais virtudes, o dissabor é mínimo, mas grave. Muito me orgulho de ter nascido numa bela região, o CAIANA, antigo engenho do meu bisavô, cheia de estórias e histórias, a chuva caindo, pela noite, nos pés de café, um som que guardo até hoje, e lembro-me quando saí para a escola, lá na Primavera – propriedade de Pessoinha e sua filha era professora, caminhava uns trinta minutos para lá chegar, era uma turma boa, todos se juntavam na estrada, com chuva ou sol, para estudar. Concluído o primário, vim para Bezerros, no sobrado de minha avó, fiquei estudando no Cônego Alexandre, onde fui removido da terceira série para a quarta, depois fui fazer o preparatório ao admissão com professora particular, feito exames no Colégio Caruaru, do Dr. Luiz Pessoa, sendo aprovado iniciei o ginasial naquele internato – 1957 -. foi aí, ao entrar no Internato, existia o Grêmio Domingos Sávio, e todo interno novato tinha que, no segundo semestre, apresentar um trabalho sobre a terra de origem. Nas férias de junho, voltando para Bezerros, minha avó relatou muitos fatos de Bezerros, preparei, e voltando das férias fiz a apresentação, sendo bastante aplaudido. Meu primo Ernane Souto Andrade então fez uma pergunta – “por que não faz uma pesquisa sobre Bezerros”? Aquilo ficou na minha cabeça, mas as coisas foram acontecendo de forma natural. Passando o tempo, em 1959 tive uma bruta crise de asma, em fins de novembro, que me levou de volta a Bezerros, e em 1960 fui estudar no Colégio Cenecista São José, colando grau em dezembro do mesmo ano. Neste momento fui convidado pelo Dr. Camelo para ser correspondente do Diário de Pernambuco, quando iniciei a missão de escrever. Como já fazia minhas crônicas na Divulgadora Bandeirante, em 1960, passei a escrever, tanto para a crônica bem como para o jornal. Bezerros já foi uma cidade que fazia gosto de sair às ruas, ir a Estação Ferroviária, ver o trem chegar e partir, pessoas saltavam, outras embarcavam, os carros de praça, ali de plantão, esperando pegar uma corrida para a então Vila São Miguel ou mesmo para Camocim, era a vida girando, ou mesmo ir até ao CLUBE DO LIVRO da saudosa Aliete Neri, as festas de fim de ano, o Teatro ou cinema doméstico de Carlos Guerra, as cavalhadas de José Torres, que atraiam as atenções do povo, sempre aos domingos, as grandes partidas de futebol do Botafogo( de Frederico Pontes ) e Brasília ( de José Gomes ), e de repente, hoje, toda essa beleza morreu, nem os jornais editados em nossa cidade, como o Porta-Voz de Nilo Amorim, Jornal da Noite de um grupo de jovens, A Época de Salviano Machado, depois pertencendo a Antonio Bertino, é triste hoje vivemos um triste momento, uma cidade SEM VIDA, desprovida dessas coisas tão boa.

3º- BEZERROS HOJE – A internet tem mudado os hábitos dos novos leitores. A imprensa impressa tem sentido o baque mundialmente e a tendência é que muitos periódicos deixarão de circular. Como o senhor avalia essa nova plataforma de comunicação? A cultura perde com essa mudança?

PROFESSOR RONALDO – Enquanto os jornais interioranos forem editados se pensando em lucro, irão afundando, o jornal do interior é um instrumento cultural, bem informando à sociedade, tem-se que solicitar das forças econômicas – comércio e indústrias -, fazendo suas publicidades, aí sim, terá condições de sobreviver, mas, antes de tudo, terá a necessidade de muita garra. A cultura direcionada pela internet, na verdade tem um limite, não alcança um universo, pequena parte ganha o benefício, mas não oferece oportunidade de vc ler algo importante em longo prazo, ao contrário do jornal, ele está ali, no arquivo, a qualquer momento temos a nossa disposição.

4º-BEZERROSHOJE- Bezerros é uma cidade ainda com vários prédios arquitetônicos, mas, vez por outra, assistimos passivamente a transformação de faixada desses prédios. Há uma lei que trata da preservação desses patrimônios mesmo sendo de propriedade privada? Quem é negligente nesses casos?

PROFESSOR RONALDO- Vejamos com as coisas tornam-se engraçado, o Instituto de Estudos Históricos, Artes e Folclore dos Bezerros consta na Lei Orgânica do município dos Bezerros com a missão de proceder ações na área de proteção ao patrimônio, como consta no Capítulo III – da Educação, da Cultura, do Desporto e do Lazer, Seção I – Da Educação, no Art.117 que diz – “O Instituto de História de Bezerros fica considerado de utilidade pública a partir da promulgação desta Lei Orgânica”. No parágrafo único diz – “O tombamento e a proteção do patrimônio histórico ficará sob a responsabilidade do Instituto de História de Bezerros”. Os legisladores só se preocuparam em repassar a demanda de defender o patrimônio ao Instituto, mas esqueceram que para essa finalidade o Instituto necessita de uma série de requisitos para cumprir a missão, advogado, engenheiro, e o principal, verba para o custeio da demanda. É engraçado, parece que tudo é fácil, mas o mais necessário não apresentam.

5º- BEZERROSHOJE-  Bezerros e Caruaru tem praticamente as mesmas datas de emancipação política, apenas 13 anos as separam no calendário. O senhor costuma dizer que Bezerros já foi o odeon do agreste (pelas publicações) e que tinha sua paróquia (freguesia) desempenhando uma grande influência em toda a região. É possível fazer uma analise paralela do desenvolvimento dos dois municípios. Por que ficamos tanto para trás? 

PROFESSOR RONALDO – BEZERROS x CARUARU – ainda acrescento GRAVATÁ, que foi nosso Segundo Distrito, e em 1881 a Lei 1560 de 30 de maio, cria a Vila de Gravatá, sendo emancipada em 1883, instalada no dia 9 de janeiro de 1883. Faço esta citação para, juntarmos CARUARU / BEZERROS e GRAVATÁ, e a partir daí, estudarmos os desenvolvimentos dos três. Vamos inicialmente ver CARUARU, cuja sociedade sempre demonstrou uma tendência bairrista, e os políticos – cujos grupos sempre foram rivais ao extremo, mas cumprem uma política progressista – exemplo – o prefeito X constrói uma praça em um determinado bairro – quando o adversário assume, procura fazer uma melhor, em outro local, assim, pouco a pouco a cidade vai ganhando na sua aparência; enquanto isso, aqui em nossa terra, se faz algo, quando o adversário assume, desmancha e faz outra coisa no local, é o que temos visto, quantas vezes a praça Duque de Caxias – ou da Matriz – foi desmanchada? Sinceramente, é inacreditável!!! O fator Gravatá é bem diferente, os prefeitos teem mostrado interesses na melhoria da cidade, cresceu, o investimento particular também influiu, aliás, o que agora está acontecendo com nossa Bezerros.

6º-BEZERROSHOJE-O Senhor concorda com a afirmativa que o ex-prefeito Lucas Cardoso (já falecido) deu uma identidade ao município de Bezerros?

PROFESSOR RONALDO – Na verdade, na área turística o Dr. Lucas abriu uma grande estrada para o turismo, através dos grupos carnavalescos, o carnaval, Bezerros explodiu. Hoje estamos assistindo como nossa terra está conhecida no sul do país. Uma forte referência sem dúvida!

7º BEZERROSHOJE- Na sua opinião, o que falta  para nos restabelecermos de vez em nossa região como a história já nos conferiu? Os nossos políticos têm tido essa preocupação?

PROFESSOR RONALDO – Os políticos em geral não fazem milagres, a nossa mudança está na cultura do povo, um time de futebol não vence uma partida só dependendo de um jogador, a equipe é quem pesa POVO-GOVERNO-POVO, aí está a solução para nosso desenvolvimento, partidarismo só tem um – BEZERROS!

8º-BEZERROSHOJE – O Sr. está concluindo o 3º Volume do Livro, Bezerros Seus Fatos e Sua Gente, tratando mais dos assuntos contemporâneos. Fundou o Instituto de Estudos Históricos, Arte e Folclore de Bezerros e a Academia de Letras, Artes e Ofícios Municipais de Pernambuco. Isso demonstra a sua preocupação para a preservação da nossa história. O Sr. formou alunos nesse sentido?

PROFESSOR RONALDO – Hoje não dispenso o meu título, que o tenho com orgulho – PROFESSOR – uma prova está aí, no Facebook, no Livro Aberto, mantenho AULAS DE HISTÓRIA MUNICIPAL ( Bezerros ), lembro-me que na Escola Getúlio de Andrade, assim que adentrei, com a Diretora da época , Professora CONCEIÇÃO LUCENA, fundamos um Grêmio estudantil, justamente para incentivar os alunos ao diálogo, apresentar suas idéias, incentivar a leitura, buscar respostas, e hoje, mesmo fora das salas de aulas, sempre estou, gratuitamente, fazendo palestras nas nossas escolas, só assim, mudaremos e veremos a vida com mais responsabilidade.

9º-BEZERROSHOJE- Suas considerações finais…

PROFESSOR RONALDO – Quero agradecer a você Flávio Melo, e dizer que o terceiro volume de nossa história está se vestindo, espero que, como temos pessoas bem capazes, surjam novos historiadores, que procure-se zelar pela documentação hodierno, caso contrário vai ser difícil coletar dados da atualidade, para daqui a cinquenta anos se escrever a HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA!!!!!

Bezerros/PE., 20/08/2015. 00.08hs.

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