Céu e inferno: a cultura do ou é 8 ou 80

Mikhail Gorbachiov é Cientista Social pela UFPE

O final da última semana foi marcado pela surpreendente chegada das chuvas. As águas de março vieram em maio e superaram todas as expectativas de chuva para o período.

Numa época em que tanto se falava da escassez deste recurso natural, de suma importância para a existência da humanidade e seus serviços, a natureza mostrou que mesmo em seu ápice de desequilíbrio não deixa de cumprir o seu papel. A chuva veio, e em 48 horas mudou o cenário de terror pela escassez para um assombroso cenário de destruição em cerca de 30 municípios do Estado de Pernambuco.

O interessante em torno de tudo isso é notarmos o quanto a ação humana é responsável por muito de tudo o que se acontece. Por exemplo, nas cidades em que se notava certa escassez do recurso natural, tanto no quesito de consumo quanto no quesito de gerir a distribuição da água, perceberemos o quanto o consumidor extrapola na utilização de um recurso que não é renovável e, portanto finito, quanto também às responsabilidades de quem regula a distribuição da água negligenciam a possibilidade de falta do recurso e se pauta apenas em consumo, produção e acumulação de capital econômico.

Mas não culpemos apenas os usuários e os gestores da distribuição de água, neste processo. Na via de mão dupla, quando se vê as enchentes que acometeram algumas cidades nesta última semana, também existem outros culpados: os gestores dos municípios ou para os mais íntimos, os políticos. Pois é, eles são aqueles que não tratam dos leitos de seus rios para que quando exista volume na vazão, a água possa passar sem ter de ser encurralada. São gestores que não pensam, sequer executam obras minimamente dignas de infraestrutura para que se aja drenagem nas vias e para que a chegada das águas ao invés de ser algo preocupante, fosse digno de contemplação.

Em época de crises de identidade e da política seria mais que necessário que toda uma população começasse a refletir sobre os papéis e responsabilidades que cada um tem, e que não se culpabilize outros antes de notar se existe culpa em si. As enchentes por si podem causar estragos, mas atentemos para o fato de que a negligencia de muitas autoridades, no que toca à preocupação com o meio ambiente, seja na forma com que se distribui a água, seja quanto a forma com que se esquiva de realmente administrar uma cidade são mais culpados do que um simples fenômeno natural.

Deixemos de culpar ou atribuir isto ou aquilo a forças ocultas e reflitamos de fato quem somos e o que fazemos diante de cada causa e conseqüência.

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