Onde você estava em 1º de Julho de 1994?

Janaina Pereira é Administradora, Especialista em Gerenciamento de Projetos, Consultora há mais de 10 anos em Planejamento Estratégico e Marketing e Diretora Executiva na Porto3 Soluções.

Em em 1º de Julho de 1994, eu tinha 14 anos. Lembro bem onde estava quando li a notícia da instituição do Plano Real, que começara meses antes com a tal da Medida Provisória 434. Era impossível não saber: era capa dos principais jornais brasileiros. Não sabia bem o que era, mas sabia que se tratava de mais uma das inúmeras tentativas de conter a inflação galopante da época e “estabilizar nossa economia”. O argumento era sempre esse.

Um pouco descrente, pois, apesar de adolescente, conhecia outras tentativas frustradas, a partir daquele dia, ajudava minha mãe em compras enquanto me ajudava uma calculadora. Calculadoras não faltavam, pois não era cálculo fácil de cabeça a conversão de 750 Cruzeiros Reais em 1 URV. Vender calculadoras foi bom negócio na época, isto se o vendedor não errasse a conversão, como aconteceu com tantos produtos.
Minha descrença e, tenho certeza, a de milhões de brasileiros, foi vencida diante dos resultados conseguidos pelo Plano nos meses seguintes. Tínhamos uma nova moeda, a esperança de sempre e a expectativa de nunca. A partir de então, seria possível comprar parcelado sabendo quanto seria a parcela, comprar um quilo de feijão de manhã e perceber que o preço era o mesmo à tarde, e, até mesmo, programar e parcelar uma viagem.
Eram tempos difíceis que melhoraram. À época, seja por brios ou necessidade de glória, alguma coisa, ao menos uma tentativa, era feita pelo brasileiro. O que aconteceu hoje? Como chegamos até aqui?
Não sou inocente ou estúpida de defender esse ou aquele partido. Para mim, todos, SEM NENHUMA EXCEÇÃO, são corruptos. Falo dos partidos e não necessariamente das pessoas. Enquanto a população se digladia numa guerra que acha que é de Direita versus Esquerda – ou nem sabem o que é isso -, o nosso conceito de Povo vai se esvaindo e tomando outras conotações.
Segundo o dicionário, “povo é o conjunto de pessoas que falam a mesma língua, têm costumes e interesses semelhantes, história e tradição comuns”. Na época do Plano Real, há pouco mais de duas décadas, parece-me que tínhamos claramente um interesse comum. De lá pra cá, esse interesse só aparece com mais força na Copa do Mundo, porque nem nas manifestações populares os brasileiros estão unidos em prol de uma única causa! Muitos sequer sabem o que estão fazendo, a verdade é essa.
O que tem-nos acontecido? Será que estamos revolucionando mais um conceito? Honestamente, temo que nem toda revolução seja salutar. Como o conceito de povo, espero – embora continue descrente – que nossa esperança não se desintegre ao longo do tempo.
Janaina Pereira é Administradora
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