Os estereótipos e os valores

Mikhail Gorbachiov é Cientista Social pela UFPE

O inicio da semana me trouxe a necessidade de explorar um tema que causa um certo burburinho nos valores de nossa sociedade: os estereótipos.

Quem nunca olhou atravessado para alguém que tinha um estilo de vida, de roupa, de corte de cabelo e etc, que fugisse do padrão estabelecido socialmente como o adequado? E ainda assim, julgou a pessoa sem sequer saber ou se permitir a conhecer o que a pessoa pensa.

Pois é. Isso é estereotipar, ou seja, atribuir um valor sem conhecimento prévio sobre alguém.

Os estereótipos servem para segregar ainda mais as pessoas, separando e menosprezando-as.

Esta é uma prática que tem sido corriqueira e não é de hoje em nosso meio. Para tanto se faz necessário fazer alguns apontamentos sobre o tema posto em questão. Primeiro que, roupa, corte de cabelo e outros não definem a qualidade de quaisquer pessoa. Um punk que tem cabelo moicano pintado de verde pode ser mais ético e humano do que um dito cristão que frequenta a missa a todos os domingos e vive falando da vida alheia. Um mendigo que usa roupas maltrapilhas pode dividir um prato de comida com você, por outro lado aquele que tem um certo prestígio social não é capaz sequer de pagar um pão a alguém que se encontra com fome.

O que é importante sabermos é que para além das vestimentas e estilos de cada um, existe um ser humano. As roupas são meros detalhes e não dizem nada sobre ninguém. Assim também é para quem tem tatuagem. Isso não quer dizer absolutamente nada.

Numa sociedade como a nossa, os valores são atribuídos pelos pertencimentos a determinadas famílias e sobre aquele velho e escroto ditado popular do “me diga com quem andas e te digo quem tu és”. Mas a coisa não é bem assim, é só observarmos que as pessoas que mais são respeitadas em nossa sociedade por vezes ocupam cargos de chefia ou em algum dos três poderes. E quais são as roupas que eles usam? Os valores dos mesmos estão diretamente ligados ao estilo de vida?

A sugestão é para que nós nos desprendamos de certos preconceitos sociais e procuremos olhar para os outros, apesar das diferenças, como a uma pessoa capaz e sobretudo, humana. Pessoas que podem ocupar quaisquer lugar e postos na sociedade. Que possamos refletir sobre tais aspectos e ver que por mais que valorizemos terno, gravata e sobrenome, são pessoas de terno, gravata e de famílias prestigiadas que estão a lesar a pátria e a roubar o que é nosso.

Talvez a grande parafernalha em que estejamos metidos, hoje, seja por que você olha para a sociedade da forma com que a mesma olha para você. E permanecer no erro é sinal de não evolução.

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