“PACIÊNCIA ETERNA” OU SOBRE COMO “JÁ FIZEMOS ISSO ANTES”

Janaina Pereira é Administradora, Especialista em Gerenciamento de Projetos, Consultora há mais de 10 anos em Planejamento Estratégico e Marketing e Diretora Executiva na Porto3 Soluções.

Estive assistindo à TV Imprensa esses dias, especificamente quando o tema tratado era uma potencial alternativa de acesso à Serra Negra, pauta que já foi levantada outras vezes e de cuja relevância nós que conhecemos a estrada atual, sabemos bem. Mas não vou falar de novo da Serra Negra, ou pelo menos, não apenas da Serra Negra.

Debatendo mais uma vez a questão da estrada, fiquei pensando em quantas vezes já fizemos isso antes. Já fizemos isso antes em relação ao tal teleférico que o Estado prometeu há anos e hoje, na minha visão, deixou até de ser importante. Temos feito isso com frequência em relação ao vergonhoso serviço da Compesa, à insegurança pública que assola nosso município mais do que os demais, de maneira que se tornou até motivo de reportagem televisiva. Já fizemos isso antes em relação ao trânsito e à necessidade de promover concurso público e possibilitar que nossos agentes do Debetrans tenham de fato autonomia, o que não acontece hoje. Já fizemos isso antes em relação ao lixão. Já fizemos isso antes e, quando eu digo ‘antes’, pode ser bem, bem antes mesmo. Refiro-me a todo e qualquer governo, não necessariamente ao atual. Portanto, sem paixões partidárias nos comentários, por favor!

Prezado leitor, tantas reivindicações mais já fizemos antes! E o que acontece? Elas ficam perdidas no tempo, e nos causam uma canseira tão grande que, em algum momento, esquecemos. Prestem atenção se as respostas não são sempre as mesmas.

Quanto à estrada de Serra Negra, a resposta é que o Estado praticamente nos fez um favor com a pavimentação atual, que, por sinal, em poucas semanas, já apresentava sinais claros do péssimo serviço realizado. Não nos interessa saber de quem é a culpa: é ruim, ponto final. E já dissemos isso antes.

No caso do Debetrans, apesar de já municipalizado, neutraliza-se a problemática através de parcerias com PM e Detran, que, inclusive, multa em Bezerros de dentro das viaturas, colocando à margem a sua missão de orientar para evitar acidentes. Enquanto isso, os agentes do Debetrans continuam sem autonomia para agir quando necessário, sendo apenas orientadores de trânsito. Reconheço a relevância do Debetrans, mas pouco ou nada podem fazer em repressão a quem comete infrações, a não ser acionar órgãos competentes.

Quanto à insegurança pública, ensaiamos um Pacto pela Vida municipal, mas nossa voz foi rouca, pois, segundo a gestão, enquanto o município fez a sua parte, o Estado jamais cumpriu a dele em integralidade, sabe-se lá por quê, de modo que aquilo que poderia ser um excelente caso de sucesso não passou de uma tentativa frustrada de amenizar um dos maiores problemas de Bezerros.

O teleférico deixou de ser relevante, a não ser que ligue o Centro à Serra como meio de transporte, já que, daqui a algum tempo, o atual acesso se tonará impraticável! Inclusive isso era proposta de um candidato a prefeito. De repente, ele estava certo.

Esperamos há anos uma solução definitiva para o lixão. Enquanto essa solução não vem, no mínimo, já teria dado tempo de se realizar uma campanha educativa de separação do lixo, e a coleta seletiva obrigatória ser implantada ao menos nas escolas e repartições públicas. Vereadores, que tal uma lei para isso? Que eu tenha conhecimento, são pelo menos 4 gestões que arrastam esse problema.

Isso acontece porque, em muitas ocasiões não se escuta o que a população realmente quer e precisa. No próximo artigo, citarei um exemplo recente de uma situação em que isso ficou bem claro. Aguardem.

Sonho com uma era, na nossa cidade e no nosso país, em que não precisemos implorar, reclamar, repetir à exaustão o que está tão óbvio que deveria automaticamente fazer parte dos planos cotidianos dos nossos gestores. Enquanto isso não acontece, vamos fazendo tudo de novo.

Em tempo: Se houve solução para alguma destas pautas, desculpo-me com os gestores da época, mas saliento que, no mínimo, a comunicação destas soluções para o público falhou, já que não a maioria não tomou conhecimento. O alinhamento da comunicação é, a propósito, outra questão a ser seriamente pensada, o que evitaria, dentre outras situações, a construção de obras sem obediência aos critérios da própria prefeitura.

Janaina Pereira é Administradora

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